E-Learning não é moda!
Quinta-feira, 13 Março, 2008Atualmente fala-se muito sobre e-learning e EAD, sejam em empresas, escolas ou universidades. Mas, embora muitos pensem o contrário, a educação online não é uma moda passageira. Na verdade, há muito a se fazer e bastante a ser aproveitado.
É preciso ser justo e saber separar fato e ficção, real e virtual quando se fala em e-learning. Nem todos vão se adaptar, assim como muitas empresas só resolverão seus problemas de treinamento desta maneira. Existem dois pontos a se considerar, vendo o lado bom e o mau:
1) Tecnologia muda tudo
A idéia popular, principalmente numa área bem misturada profissionalmente, como e-learning, é a de que a tecnologia será a grande salvadora das empresas no mundo moderno. Isto não pode ser verdade! A tecnologia pode mesmo melhorar a forma como vivemos, mudando a maneira de nos relacionarmos, de conversarmos, de mostrarmos uma foto, de ouvir música e até de comprar algo. Não tenho dúvidas de que com a educação será algo diferente, mais até do que já estamos acostumados há algum tempo, do e-learning baseado tão-somente em LMS (Learning Mangement System, os famigerados “ambientes virtuais”, caríssimos e muitas vezes desnecessários). É o progresso do mundo, a evolução, e disso não há como fugir. Mais ou menos algo como: aceite ou serás devorado!
Divagações à parte, o fato é que as ferramentas tecnológicas ajudam a treinar milhares de participantes de cursos online nas empresas; a ensinar a alunos de outro ponto remoto do Brasil (um curso baseado no Rio de Janeiro, por exemplo, para alguém numa cidade do Pará, como Santarém); melhorar o acesso de universitários ao conhecimento antes e depois das aulas; tirar dúvidas de alunos do Ensino Fundamental e Médio de qualquer região do país e muitos outros que a criatividade e o pensamento estratégico e de negócios podem trazer e construir.
O Moodle é um belo exemplo de LMS gratuito, open-source feito em PHP, que faz coisas que anos atrás apenas grandes sistemas, pagos, poderiam fazer. Não há mais necessidade de se prender a ferramentas de autoria de grandes empresas, basta um técnico em tecnologia ou qualquer um que se disponha a aprender a instalar, customizar e se mover pelo sistema, administrando-o, e pronto. Da mesma maneira, o SABA é um grande sistema, caríssimo e bem completo. Quase uma entidade em si. É preciso algumas horas de treinamento para saber utilizá-lo, sendo que os cursos neste ambiente se tornam verdadeiras fontes de análise de como está o conhecimento dos funcionários de uma empresa.
No entanto, é preciso saber que o meio pelo qual o e-learning é feito não pode ser considerado um fim em si mesmo. A tecnologia é ótima, mas ainda somos humanos - e podemos mais. Assim, não basta ter tais ou quais ferramentas, mas sim bons profissionais que saibam interagir com as mesmas e, acima de tudo, com os participantes, alunos ou como quer que se chamem aqueles que estão envolvidos numa experiência em e-learning. É preciso que eles, participantes/alunos, se sintam cuidados, motivados e respeitados em seu tempo online ou offline.
2) Pessoas podem mentir
Talvez esta não seja a palavra ideal - mentir - mas as pessoas que trabalham, vivem e respiram educação, de forma geral, usam e abusam de seminários, congressos e planos de relações públicas para divulgar grandes feitos em educação à distância em empresas, ainda mais online. É bem provável que uns 70% do que é divulgado na mídia ou nesses eventos tenham começado num trabalho apresentado, num press-release ou até mesmo num blog corporativo.
Com isto, supondo que o fato é menos que a realidade, as pessoas parecem esquecer-se que a tecnologia hoje em dia não é mais aquela coisa desconhecida da maioria da população profissionalmente ativa. Então, um certo cuidado é fundamental.
Por exemplo, em um grande congresso de EAD podemos ouvir que uma grande empresa alcançou resultados extraordinários com uma estratégia de e-learning tendo como base as ferramentas de uma plataforma como a Blackboard. Mas, uma grande empresa, seja uma multinacional brasileira ou uma estrangeira em território nacional, sabe o custo que é ter sua força de produção bem treinada, com resultados expressivos, a grandes distâncias como aqui no Brasil. Não afirmo que é algo impossível, mas é algo que se faz durante certo tempo, inclusive com interação entre os próprios participantes, sejam estas virtuais ou presenciais. Em suma, é um processo. Leva um certo tempo em muitos casos. E dificilmente um resultado de poucos meses pode deixar claro que os funcionários foram bem treinados, via e-learning, apenas porque usaram um caríssimo software para cursos online. As universidades corporativas por aí provam exatamente o contrário.
Logo, é preciso saber, sem inocência e com razão, que as grandes empresas que formam a maior parte dos clientes de soluções para e-learning possuem eficientes departamentos de Comunicação e T&D que, em conjunto, preparam trabalhos que evocam sempre uma grande história por trás do que realmente acontece. Não é uma mentira, mas é um exagero da realidade em boa medida. E-Learning é uma opção válida que realmente funciona. É uma coisa que todos nós, envolvidos no assunto, gostamos de contar, mas que tem outros detalhes do outro lado: há divulgações na imprensa, releases nos próprios sites das companhias, uma estratégia de marketing que leve em conta “estar em evidência” e existe muito, muito dinheiro envolvido.
Por fim:
Como moral desta história, temos que entender que todo o fenômeno trás a reboque uma história bem contada, um comentário em excesso que, se não se pode evitar, pode-se no mínimo buscar as razões para entendê-lo (ou, por que não, desconfiar do mesmo). Deixar-se levar pelo que se ouve, vê ou lê é um pouco problemático. Usar tais dados sem confirmação, ainda pior.
Para que se tenha atualmente algum movimento em relação à adoção do e-learning, seja em empresas, escolas, cursos ou universidades não é necessário mais estar preso somente a alguma grande história baseada numa plataforma tecnológica. É preciso mais.
O melhor é entender a educação online como uma história composta por novos componentes e personagens a cada momento. A tecnologia e suas necessidades em torno das mesmas podem mudar. Vão ser sempre peças de apoio, nunca peças-chaves, numa estratégia de e-learning. A forma de usá-las é que pode determinar o sucesso, sendo parte de uma série de mudanças que vieram e ainda virão no ambiente educacional, seja em qual âmbito for.
Tags: e-learning, educação, negócios





Sexta-Feira, 14 Março, 2008 às 5:55 pm
alexandre, quando os textos forem grande desse jeito, quebra a página para eles parecerem menores e as pessoas não desanimarem… mó regrinha do online essa. assim as pessoas não ficam com preguiça de ler um texto grande, começam, se interessam e vão até o final;
também escrevo contos, só que ainda não os reuni, se quiser passa no meu blog, alguns tão lá.
abraços.
Sexta-Feira, 14 Março, 2008 às 8:54 pm
Pois é, Haroldo, mas não tem como fazer isso aqui… se fosse num domínio próprio daria sim. Abraço!
Sexta-Feira, 14 Março, 2008 às 8:58 pm
peraí, me explica direito isso. como eu consigo fazer com o meu?
Sexta-Feira, 14 Março, 2008 às 8:59 pm
talvez pq o teu tem um layout diferente…